“Pelo bom uso das riquezas”: a intenção de oração do Papa Leão XIV para o mês de novembro
“Pelo bom uso
das riquezas”: a intenção de oração do Papa Leão XIV para o mês de novembro
04/11/2026
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“O Senhor é o
refúgio do pobre” é o título da Mensagem para o X Dia Mundial dos Pobres deste
mês de novembro. Assim, o Papa Leao XIV dedica a sua intenção de oração do mês
ao “bom uso das riquezas”. Através da Rede Mundial de Oração do Papa, com a
campanha “Reza com o Papa”, o Santo Padre convida os fiéis e todas as pessoas
de boa vontade a rezar para recordar e aprofundar que “partilhando construímos
o futuro”.
Na sua oração,
o Papa dirige-se ao “Senhor da vida” e reconhece que “tudo o que temos vem de
Ti”: a terra fértil, os talentos recebidos e o esforço daqueles que nos
precederam.
“Nada é apenas
nosso; tudo é um dom partilhado”, afirma na sua oração.
O Pontífice
reconhece que a riqueza, “desejada ou alcançada”, pode endurecer o coração e
levar-nos a esquecer os mais frágeis, e pede perdão “pelo acumular em vez de
partilhar, pelo uso dos bens como poder e não como serviço”. Perante essa
realidade, recorda que a verdadeira riqueza “não está naquilo que guardamos,
mas naquilo que oferecemos com amor” e pede ao Espírito Santo que nos ensine a
usar o dinheiro, o tempo, os talentos e as oportunidades como “instrumentos de
fraternidade”, para que cada decisão económica, familiar ou comunitária nasça
de um “coração livre”. A oração conclui com o pedido para que sejamos
testemunhas de “uma riqueza transformada em serviço e misericórdia”, sinal do
Reino de justiça e de paz.
Assista:
Uma riqueza
cada vez mais concentrada
A intenção de
oração do Papa responde a uma realidade que está relacionada com a atualidade
que vivemos. A riqueza financeira das famílias atingiu, em 2025, um recorde de
268,4 biliões de euros, mais 8,6% do que no ano anterior, segundo o Global
Wealth Report 2026 da Allianz. Ainda assim, a riqueza não chega a todos: nos
países analisados, os 10% mais ricos da população detêm 85,4% dos ativos
financeiros líquidos, enquanto a metade mais pobre, quase 3 mil milhões de
pessoas, praticamente não possui nada.
Entretanto, o
número de pessoas com grandes fortunas continua a aumentar. Segundo o Global
Wealth Report 2026 do UBS, 2025 registou quase um milhão de novos milionários
em dólares, mais de 2.600 por dia, e desde 2020, a riqueza média tem-se
afastado cada vez mais da mediana, ou seja, da riqueza de uma pessoa comum. Os
ganhos, portanto, distribuem-se de forma desigual: a riqueza dos mais ricos
cresce mais rapidamente do que a de uma pessoa comum.
A mensagem de
Leão XIV para o X Dia Mundial dos Pobres
Leão XIV já
tinha alertado para este paradoxo na sua primeira exortação apostólica, Dilexi
te: num mundo em que os pobres são cada vez mais numerosos, assinala o Papa,
também crescem “algumas elites de ricos, que livem numa bolha muito confortável
e luxuosa” (n.º 11). E adverte que esta situação alimenta uma cultura do
descarte que tolera, com indiferença, que milhões de pessoas vivam em condições
indignas.
A mesma
mensagem percorre a Mensagem para o X Dia Mundial dos Pobres, que será
celebrado a 15 de novembro de 2026 sob o lema “O Senhor é o refúgio do pobre”.
Nela, o Papa contrapõe a obsessão de quantos acumulam riquezas apenas para si
próprios à perseverança de Deus, que abre o coração e acolhe, e propõe um exame
de consciência que inclui uma pergunta incómoda:
“Temos
consciência da nossa pobreza e preferimo-la à riqueza injusta? Vamos ao
encontro dos pobres, experimentando a sua marginalização? Escutamos os seus
pensamentos e partilhamos as suas esperanças?”.
Em maio de
2021, o Papa Francisco dedicou a sua intenção de oração pelo “mundo das
finanças”, pedindo que se rezasse para que os responsáveis pelo mundo
financeiro colaborassem com os governos, a fim de regulamentar os mercados
financeiros e proteger os cidadãos dos seus perigos.