CF 2027 quer gerar grande mutirão para cuidar, proteger e amar nossas crianças

Texto-base disponível: CF 2027 quer gerar grande mutirão para cuidar, proteger e amar nossas crianças

- 06/11/2026
- Fraternidade

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O texto-base da Campanha da Fraternidade 2027 foi lançado na quarta-feira, 4 de novembro. Padre Jean Poul Hansen, secretário-executivo de Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) conduziu uma live especial para apresentar o material que vai orientar atividades e iniciativas em torno do tema “Fraternidade e o Cuidado das Crianças”. Centenas de pessoas de todo o Brasil acompanharam ao vivo.

“Nós queremos com a Campanha da Fraternidade gerar um grande mutirão em todo o Brasil para cuidar e proteger e amar nossas crianças”, disse padre Jean Poul.

Esse mutirão, segundo ele, deve levar à conversão nas nossas comunidades cristãs para a corresponsabilidade no cuidado das crianças, como os bispos indicam no objetivo da Campanha:

“Promover um caminho de conversão cristã para a corresponsabilidade no cuidado das crianças, reconhecendo, à luz do Reino de Deus, a infância como tempo sagrado de desenvolvimento integral, em um ambiente de relações seguras, marcadas pelo amor e pelo respeito”.

Segundo padre Jean Poul, a campanha vai provocar a conversão das pessoas para que elas “formem comunidades convertidas, testemunhem o cuidado a proteção e o amor às crianças de modo a provocar uma sociedade renovada”.

Processo de construção

No início do encontro virtual, padre Jean Poul detalhou o processo de construção do texto-base da CF 2027, realizado no decorrer dos últimos dois anos com a participação de uma gama de especialistas no cuidado das crianças. O processo iniciou em fevereiro de 2025 após a definição do tema pelo Conselho Episcopal Pastoral da CNBB. Este mesmo conselho orientou todo o processo, indicando nomes e aprovando os materiais preparados.

O grupo de redação contou com especialistas, padres e bispos. Confira os nomes:

- Bárbara Pimpão Ferreira, Curitiba (PR), com longa trajetória na articulação da cultura de cuidado e proteção às crianças;

- Professora Emília Cipriano Sanchez, São Paulo (SP), acadêmica na PUC-SP e estudiosa do tema das infâncias;

- Padre Francisco Cornélio Rodriguez: diocese de Mossoró (RN), biblista responsável pela fundamentação bíblica do texto;

- Dom Luís Gonzaga Fechio, bispo de Amparo (SP) e referencial nacional para a Pastoral do Menor;

- Padre Márcio Luís Fernandes, padre claretiano, professor na PUC do Paraná e teólogo;

- Maria Bárbara Toledo, Niterói (RJ), integrante da coordenação da Pastoral Familiar e atuante em ONG de apoio à adoção;

- Sávio Bitencourt, Niterói (RJ), esposo de Maria Bárbara, também atuante na Pastoral Familiar e na causa da adoção e acolhimento;

- Professora Maria Inês Millen, de Juiz de Fora (MG), médica e teóloga da moral, responsável pela seção sobre a ética do cuidado;

- Pedro Hartung, São Paulo (SP), CEO do Instituto Alana, organização de proteção a crianças e vulneráveis;

- Ricardo Maris: educador de Brasília vinculado às escolas maristas;

- Dom Severino Clasen, arcebispo de Maringá (PR) e bispo referencial nacional para a Pastoral da Criança.

Estrutura

O texto-base da Campanha da Fraternidade 2027 está estruturado a partir da metodologia pastoral do “Ver, Julgar e Agir”, composto por três capítulos centrais além de outras seções com a introdução, a conclusão e os anexos.

Realidade das crianças

O primeiro capítulo central do texto-base apresenta um mapeamento da realidade concreta das crianças brasileiras, com avanços e desafios vivenciados pelas crianças no Brasil. É retratada a pluralidade e a desigualdade das infâncias, a partir da análise das realidades rurais, periféricas, urbanas e regionais.

Ainda são abordados tema como saúde e os primeiros anos da infância, com destaque à iniciativa de cuidado nos primeiros mil dias de vida proposta pela Pastoral da Criança; educação e desenvolvimento; redes de apoio e acolhimento.

A CF dedicou um tópico para as vulnerabilidades específicas que demandam cuidado e proteção, como violência sexual, uso de drogas, adultização/erotização digital, impacto das telas na saúde mental, infâncias indígenas, crianças migrantes/refugiadas e crianças no cárcere.

Iluminação da fé

No capítulo seguinte, há a iluminação da fé, com as fontes da Bíblia, do Magistério e da Ética do cuidado. O texto propõe um discernimento da realidade iluminando a reflexão com a narrativa da criança como dom e vida inviolável no Antigo Testamento, e a atitude de Jesus no Novo Testamento ao colocar a criança no centro e ensinar o lema da campanha: “Quem recebe uma criança em meu nome a mim recebe” (Mt 18,5).

Quanto ao Magistério da Igreja, são resgatadas orientações da Doutrina Social e contribuições do magistério dos Papas São João Paulo II, Bento XVI e Francisco.

O último ponto do terceiro capítulo refere-se à Ética do Cuidado, com uma abordagem teológico-moral sobre a responsabilidade do cuidado mútuo e a proteção aos mais vulneráveis.

Compromissos práticos

O terceiro capítulo do texto-base apresenta sete compromissos comunitários e sociais para o cuidado das crianças:

- Acolher e defender a vida, fortalecendo as famílias;

- Escutar as crianças e reconhecer o seu lugar na Igreja;

- Formar para o cuidado e proteção;

- Fazer de toda a comunidade um ambiente seguro;

- Educar integralmente e habitar com responsabilidade a cultura digital;

- Construir redes territoriais de cuidado;

- Incidir na sociedade pela dignidade de todas as crianças.

Protagonismo infantil

Perpassando todo o texto, o protagonismo infantil ganha um aspecto concreto de participação na última parte da publicação. O trecho conta com a contribuição direta com depoimentos, frases, poesias, orações e desenhos feitos pelas próprias crianças.

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