José de Nazaré: aproximação histórica
Abraço da Fé
Série José de
Nazaré - Texto 1
José
de Nazaré: aproximação histórica
Yosef (José) foi pai de
Yeshuah, também conhecido como Jesus. Atribuísse-lhe ser filho de Jacó,
descendente de Davi (Mt 1,16-20), “de cuja raiz deveria nascer Jesus segundo a
promessa feita ao rei pelo profeta Natã (2Sm 7)” (PC, 2020, p.11). Seu nome
significa “o Senhor acrescenta” ou “que o Senhor acrescente” ou “o Senhor faz
crescer”. Nasceu no que hoje chamamos Israel, ao que tudo indica em Nazaré. Da
sua infância e adolescência não há registros.
Acredita-se que tinha entre dezoito e
vinte cinco anos de idade quando desposa Miriam (Maria) (Lc 1,26-27), que
conforme o costume do casamento da época deveria ter entre 12 e 15 anos. Essa
proximidade de idade ajuda a rever a imagem, bastante difundida pela tradição e
pela iconografia, de um José já idoso ao lado de uma Maria muito jovem. Vive
num contexto sociofamiliar de características agrícolas, marcado por valores
patriarcais judaicos e de organização comunitária da vida cotidiana (Culpepper,
2025, p.107-148).
Os historiadores situam o nascimento do
seu filho Jesus entre os anos 7-6 a.C., em Nazaré, uma aldeia camponesa e pouco
valorizada na região da Galileia. Embora pareça estranho dizer que Jesus nasceu
“antes de Cristo”, isso acontece porque nosso calendário foi estabelecido
séculos depois. A divergência com o calendário atual deve-se a um equívoco que
o abade Dionísio o Pequeno, que viveu no final do século V, teve ao fixar a
data de nascimento de Jesus (Pagola, 2011, p.577).
Nessa época, Nazaré estava sob o domínio
do Império Romano, marcado pelo domínio político e pela exploração econômica.
Pelo contexto de sua moradia, sua situação social foi marcada pela pobreza. Era
um artesão (tekton) que trabalhava com diversos materiais, como pedra e
madeira (Mt 13,53), atuando principalmente na área da construção. Era,
portanto, um homem que conhecia o trabalho pesado e a vida simples de uma
pequena aldeia. Instruiu seu filho nesse ofício e se acompanhavam ao oferecer
seus serviços (Verlinde, 2026, p.50).
José era judeu. Falava aramaico. Conhecia
as Escrituras. O mais provável é que não soubesse ler nem escrever. Sua fé era
aprendida e transmitida sobretudo pela escuta, pela memória e pela vida em
comunidade. Fiel ao rito judaico, deve ter circuncidado Jesus aos oito dias
após o nascimento, reconhecendo-lhe como filho e apresentando-o à comunidade.
Transmitiu-lhe a fé e ensinou-lhe “o costume de chamar a Deus de Abbá, a
mesma expressão com que se dirigia a seu ‘pai’ José” (Pagola, 2011, p.77). É
interessante pensar que uma palavra tão importante na experiência religiosa de
Jesus tenha pertencido primeiro ao cotidiano de sua casa. Alguns estudiosos,
afirmam que suas palavras e atitudes podem ter inspirado Jesus ao elaborar a
oração do Pai nosso (Martínez, 2023, p.79-83).
Desconhece-se, de forma geral e com
precisão, sobre a sua vida quando Jesus era adulto. Inclusive, da sua morte.
Acredita-se que a expectativa de vida dos homens naquela época era de 38 anos.
Jesus pode ter perdido seu pai próximo dos 16 anos e, provavelmente, assumiu a
responsabilidade pela sua família (Culpepper, 2025, p.409-410). Os poucos dados
que chegaram até nós revelam, assim, um José muito humano, jovem, trabalhador,
judeu, homem de família e de comunidade e, sobretudo aberto ao Reino do Deus da
vida.
Referências
Culpepper,
R. Alan. O povo das parábolas: a Galileia no tempo de Jesus. Petrópolis, RJ:
Vozes, 2025.
Francisco,
Papa. Carta Apostólica Patris Corde por ocasião do 150º aniversário da
declaração de São José como Padroeiro Universal da Igreja. Brasília: Edicões
CNBB, 2020.
Martínez,
Román Llamas. O Evangelho de São José. 2 ed. Portugal: Edições Carmelo, 2023.
Pagola,
José Antonio. Jesus: aproximação histórica. 3 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.
Verlinde,
Joseph-Marie. José de Nazaré: história, espiritualidade, teologia. São Paulo:
Paulus, 2026.
Humberto
Herrera Contreras
Assessor
pedagógico e pastoral da SM.
Gisele
Canário
Biblista
do Centro Bíblico Verbo.